Mulheres Que Correm Com os Lobos
Como Reconectar com a Mulher Instintiva que Habita em Você. Desperte Sua Essência!
Você já sentiu que existe uma parte de si mesma adormecida, silenciada pelas expectativas sociais e pelos papéis que precisa desempenhar? Essa sensação de desconexão não é coincidência. Dentro de cada mulher habita uma força ancestral, instintiva e selvagem — a Mulher Selvagem, como nos ensina Clarissa Pinkola Estés em "Mulheres que Correm com os Lobos". Este artigo é um convite para você despertar sua essência mais autêntica, mergulhando nos mitos, arquétipos junguianos e na sabedoria que já existe dentro de você. Prepare-se para uma jornada transformadora de autoconhecimento.
Rosangela Corrêa
12/27/20255 min ler
O Que Significa Despertar Sua Essência Selvagem?
Despertar a essência selvagem não tem relação com comportamentos impulsivos ou descontrolados. Trata-se de reconectar-se com sua natureza instintiva, criativa e profundamente sábia — aquela que sabe quando dizer não, quando se afastar do que não nutre, quando criar sem medo do julgamento.
A psicologia junguiana nos mostra que todos carregamos arquétipos universais no inconsciente coletivo. A Mulher Selvagem é um desses arquétipos fundamentais: representa a força vital, a intuição aguçada, a capacidade de renovação e a coragem de viver autenticamente.
Quando essa essência está adormecida, surgem sinais como:
Fadiga crônica sem causa aparente
Dificuldade em tomar decisões importantes
Sensação de estar vivendo a vida de outra pessoa
Criatividade bloqueada ou inexistente
Relacionamentos que drenam mais do que nutrem
Os Mitos Revelam Nossos Caminhos Internos
Por Que os Contos de Fadas Importam para Mulheres Adultas
Estés demonstra brilhantemente como os contos de fadas e mitos antigos são mapas psíquicos da jornada feminina. Não são apenas histórias para dormir — são instruções codificadas sobre desafios, transformações e renascimentos que toda mulher atravessa.
Tomemos o conto de Barba Azul como exemplo: ele não fala apenas sobre um assassino literal, mas sobre relacionamentos destrutivos e a necessidade vital de desenvolver a "chave da sabedoria" que nos permite reconhecer o perigo antes que seja tarde demais.
Ou o mito de Vasalisa, que precisa atravessar a floresta escura até a casa da Baba Yaga: uma metáfora poderosa sobre enfrentar nossos medos mais profundos para recuperar o fogo da intuição e da autoconfiança.
Como Identificar Seu Arquétipo Dominante
A psicologia junguiana nos apresenta diversos arquétipos femininos:
A Donzela — inocência, abertura ao novo, potencial não desenvolvido A Mãe — nutrição, cuidado, criação (não apenas de filhos, mas de projetos e ideias) A Anciã — sabedoria, discernimento, aceitação dos ciclos naturais A Guerreira — coragem, limites saudáveis, autoproteção A Amante — paixão, sensualidade, conexão profunda com o prazer
Nenhuma mulher é apenas um arquétipo. Somos todas essas faces em diferentes momentos e contextos. O despertar acontece quando reconhecemos qual aspecto está suprimido ou hiperativo, buscando equilíbrio.
A Jornada de Autoconhecimento Através da Mulher Selvagem
Reconhecendo Onde Você Se Perdeu
O primeiro passo é honesto e pode ser doloroso: identificar onde você traiu sua própria natureza. Estés fala sobre a "captura" da mulher selvagem — momentos em que aceitamos viver em "jaulas invisíveis" construídas por:
Expectativas familiares que nunca questionamos
Padrões sociais sobre como uma mulher "deveria" ser
Relacionamentos que exigiram que você se tornasse menor
Trabalhos que sufocaram sua criatividade
Autocrítica implacável que silencia sua voz interior
Exercício prático: Reserve 15 minutos em silêncio e responda: "Quando foi a última vez que me senti completamente viva e autêntica?" O que você estava fazendo? Com quem estava? O que mudou desde então?
Nutrindo a Alma Instintiva
A mulher selvagem precisa de nutrição específica para florescer:
Solidão criativa — tempo regular sozinha, sem agenda, sem produtividade. Apenas ser.
Contato com ciclos naturais — observar as fases da lua, as estações, seu próprio ciclo menstrual como espelhos de transformações internas.
Expressão criativa sem julgamento — escrever, dançar, pintar, cantar não para ser boa, mas para liberar o que está preso dentro.
Histórias que alimentam a alma — ler mitos, contos de fadas, poesia que ressoa com verdades profundas.
Comunidade de mulheres conscientes — círculos onde você possa ser vista, ouvida e aceita em sua totalidade.
Enfrentando os Predadores Psíquicos
Estés dedica capítulos inteiros ao conceito do "predador natural da psique" — aquela voz interna que sabota, critica, diminui e paralisa. Ele se manifesta através de pensamentos como:
"Quem você pensa que é?"
"Você não é boa o suficiente"
"É tarde demais para mudar"
"As pessoas vão te julgar"
Reconhecer essa voz não como sua verdade, mas como um padrão condicionado é libertador. A mulher selvagem sabe distinguir entre sabedoria intuitiva (que guia e protege) e predação interna (que diminui e aprisiona).
Estratégias Junguianas para Integração da Sombra
Jung nos ensina que aquilo que negamos em nós mesmos não desaparece — vai para a sombra e nos sabota inconscientemente. Despertar a essência selvagem exige integrar a sombra, reconhecendo aspectos de si mesma que você considera "inaceitáveis":
Sua raiva legítima
Seu desejo de colocar limites
Sua ambição e desejo de brilhar
Sua sexualidade plena
Sua necessidade de tempo sozinha
Quando integramos a sombra, ela deixa de nos controlar e se torna aliada em nossa jornada.
O Poder da Transformação Cíclica
Morte e Renascimento Como Processos Naturais
Uma das maiores sabedorias da Mulher Selvagem é compreender que nem tudo que morre precisa ser ressuscitado. Alguns relacionamentos, empregos, versões antigas de nós mesmas precisam morrer para que o novo emerja.
A natureza nos ensina isso constantemente: a árvore que perde folhas no outono não está morrendo, está liberando o que não serve mais para conservar energia vital para o renascimento da primavera.
Pergunte-se: "O que em minha vida chegou ao fim de seu ciclo natural e precisa ser honrado e liberado?"
Reclamando Sua Criatividade Selvagem
Estés é categórica: toda mulher é criativa por natureza. Não se trata apenas de artes — criatividade é a capacidade de gerar vida, ideias, soluções, beleza, transformação.
Quando você se sente "bloqueada criativamente", geralmente é porque:
Está esperando perfeição antes de começar
Comparando seu início com o meio de carreira de outra pessoa
Dando mais atenção aos críticos externos do que à voz interior
Tentando criar para agradar outros, não para expressar sua verdade
A criatividade selvagem floresce quando você se dá permissão para criar "mal", experimentar, brincar, errar — como uma criança que desenha pelo puro prazer de ver cores no papel.
Sinais de Que Você Está Despertando
À medida que reconecta com sua essência selvagem, mudanças tangíveis começam a acontecer:
Intuição mais aguçada — você "sente" verdades sobre situações e pessoas
Limites mais claros — dizer não sem culpa excessiva
Menos tolerância para toxicidade — relacionamentos e ambientes prejudiciais tornam-se insuportáveis
Criatividade fluindo — ideias e projetos surgem naturalmente
Energia renovada — mesmo com desafios, há uma vitalidade subjacente
Autenticidade crescente — menos máscaras, mais verdade
Conclusão: Sua Jornada Começa Agora
Despertar sua essência selvagem não é um destino — é uma jornada contínua de redescoberta, cura e transformação. Cada vez que você honra sua intuição ao invés de ignorá-la, cada vez que estabelece um limite saudável, cada vez que cria sem pedir permissão, você alimenta a Mulher Selvagem dentro de você.
Como nos lembra Clarissa Pinkola Estés através da sabedoria junguiana: você não está quebrada e não precisa ser consertada. Você precisa ser relembrada — reconectada com a força ancestral, instintiva e profundamente sábia que sempre esteve lá.
A floresta escura não é o fim da jornada — é onde a transformação verdadeira acontece. E você, como as mulheres que correm com os lobos, está pronta para essa travessia.
Que arquétipo está chamando você neste momento? Que parte da sua essência selvagem pede para ser ouvida? Permita-se escutar. Permita-se despertar.